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Plano safra 2024. De novo vai faltar dinheiro?

  • Foto do escritor: Sergio Simonetti
    Sergio Simonetti
  • 27 de set. de 2024
  • 2 min de leitura

A demanda de capital para a cadeia do agronegócio brasileiro é significativa e crescente nos últimos anos e não da sinais de diminuir sua aceleração dada a necessidade de investimentos contínuos em tecnologia, insumos, infraestrutura e logística para operar nesta cadeira de negócios.

Passado os primeiros meses desde sua liberação, já vimos que o cobertor ficou curto de novo.


Colheita da safra agrícola

Estima-se que no Brasil a demanda de capital para a cadeia do agronegócio ultrapasse a casa dos R$1,2 trilhões de reais ao ano (o triplo do valor liberado este ano ) não só para a manutenção do status produtivo, mas também para modernizar as práticas agrícolas, aumentar sua produtividade e expandir as áreas cultivadas.


Por que o Plano Safra 2024 pode não ser suficiente:

  1. Não acompanha o crescimento do agro: O orçamento destinado ao Plano Safra não acompanha o crescimento da demanda por crédito, especialmente em um cenário de custos, dolar e inflação crescentes.

  2. Custo dos Insumos: O aumento real nos preços de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, exige cada vez mais capital do que o plano disponibiliza.

  3. Inovação e Sustentabilidade: O agronegócio brasileiro precisa continuar investindo e cada vez em proporções maiores, em práticas sustentáveis e em tecnologia, como a agricultura de precisão, nanotecnologia nos insumos, dentre outros, o que demanda um capital adicional que o Plano Safra também não contempla.

  4. Dificuldade de acesso ao Crédito: Pequenos e médios produtores muitas vezes têm dificuldades em acessar os financiamentos disponíveis, devido a garantias insuficientes, histórico com alguma informalidade ou burocracias excessivas.

E o Plano Safra tem salvação?

Sim, é preciso repensar o modelo e logística da operação, privilegiando o destino e o modelo correto.

Não bastar ter o dinheiro para distribuir, ainda mais se for insuficiente. É preciso ser feito de forma mais inteligente e que, não só garanta a produção atual mas que incorpore ganhos para os próximos anos.

  1. Fomentar à Inovação: É preciso destinar verbas específicas para incentivos a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a produtividade e a sustentabilidade, além da redução nos custos operacionais.

  2. Microcrédito e Financiamento Alternativo: Ampliação de programas de microcrédito e parcerias com fintechs para facilitar o acesso ao crédito, aumentando sua capilaridade e agilidade.

  3. Cooperativas e Associativismo: Fortalecer as cooperativas, como um canal de crédito para que os agricultores tenham mais poder de negociação e acesso a recursos mais competitivos.

  4. Parcerias Público-Privadas (PPPs): Promover PPPs para atrair empresas e investidores profissionais para incrementar os investimentos em infraestrutura e logística, melhorando a eficiência e reduzindo custos na cadeia produtiva. Somos deficitários em infra básica como estruturas de armazenamento e transportes, por exemplo.

  5. Incentivos Fiscais: Criar incentivos fiscais para empresas que investem em tecnologias e práticas sustentáveis que comprovem ganhos incorporados ao agronegócio.

  6. Educação e Capacitação: Investir continuamente em programas de capacitação para agricultores sobre gestão financeira, exportação, novas tecnologias e tantos outros temas que agregam valor ao negócio.

São apenas algumas alternativas que podem ajudar a garantir o crescimento da produção e assegurar que o Brasil continue a ser um líder global na agricultura.

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